Ucrânia: Isso é o Fim - EuroYankee no Substack
Conteudo
TLDR;
O autor afirma que a Ucrânia corre risco de colapso, com avanços russos e ataques massivos à energia e logística que podem tornar Kiev inabitável neste inverno. O Ocidente será surpreendido porque subestimou a estratégia russa, interpretou lentidão tática como fraqueza e não previu o foco em desgastar infraestruturas e recuperar terreno. De acordo com o texto, Putin não visa necessariamente conquistar toda a Ucrânia, mas impedir sua entrada na OTAN e proteger populações russófonas, vendo o conflito como uma espécie de guerra civil.
Newsletter
O artigo argumenta que a campanha russa na Ucrânia mudou de fase: Moscou intensificou bombardeios diurnos e noturnos sobre Kiev, visando infraestrutura energética e logística para tornar a capital inabitável no inverno e degradar estoques e cadeias de suprimento (o governo ucraniano afirma ter perdido 90% da logística de alimentos). No front, avanços graduais mas consistentes ameaçam cidades-fortaleza no Donbas (Slovyansk, Kramatorsk), abrindo caminho até o rio Dnieper e Kiev. O autor critica a incompreensão ocidental da estratégia russa, afirmando que Putin nunca buscou conquistar a Ucrânia totalmente, mas impedir sua adesão à OTAN e proteger os “povos irmãos” russo-ucranianos, já anunciada em seu ensaio sobre a unidade histórica de russos e ucranianos. A narrativa presidencial sobre a tragédia da dissolução da URSS e a existência de milhões de russos fora da Rússia reforça, segundo o texto, a visão de Moscou de um conflito de natureza civil, com laços étnicos, linguísticos e religiosos que justificariam ação. Conclui que a falha ocidental em entender essa lógica deixará o Ocidente “chocado” quando a guerra alcançar sua conclusão. O autor também cita comparações históricas e críticas à doutrina militar ocidental, prevendo repercussões geopolíticas duradouras e perda de credibilidade para aliados no futuro imediato.
Pontos Principais
Aqui estão os pontos principais da newsletter, em resumo:
- Situação atual: a Rússia intensificou ataques a Kiev (diurnos e noturnos), com mísseis/drones chegando em ritmo contínuo (minutos), não mais em ondas espaçadas.
- Alvo estratégico: infraestrutura energética e logística da Ucrânia está sendo deliberadamente atacada para tornar Kiev praticamente inabitável neste inverno.
- Danos logísticos: armazéns foram destruídos — governo ucraniano afirma perda de cerca de 90% da logística de alimentos.
- Avanço terrestre: forças russas avançam no Donbas; cidades-fortaleza como Slovyansk e Kramatorsk correm risco de cair; se caírem, abre-se caminho até o Dnieper e aproximação à região de Kiev.
- Mapas e fontes: o mapa do ISW citado é de mais de um ano atrás; desde então a linha de frente avançou para leste.
- Interpretação ocidental errada: analistas ocidentais subestimaram a estratégia russa por esperarem uma campanha “shock and awe” (ataque em massa), e por isso ficaram surpresos com a abordagem inicial “contida” de Moscou.
- Objetivo de Putin: segundo o autor, Putin nunca quis simplesmente conquistar a Ucrânia; seu objetivo era forçar o Ocidente a levar a sério a exigência de que a Ucrânia permaneça neutra (referência à constituição de 1991).
- Justificação histórica/identitária: Putin vê russos, ucranianos e bielorrussos como “povos irmãos” com raízes comuns no Rus’ de Kiev e na Ortodoxia — argumento exposto em seu ensaio “On the Historical Unity of Russians and Ukrainians”.
- Trauma pós‑URSS: o colapso da URSS é tratado por Putin como “tragédia/desastre” porque deixou milhões de russos fora da Rússia — grande concentração na Ucrânia (especialmente Donbas).
- Demografia e cultura: antes de 2014 grande parte do Donbas era de etnia russa ou falava russo; muitos ucranianos (incluindo Zelensky) eram falantes de russo.
- Perspectiva russa do conflito: para Moscou, o conflito tem caráter de guerra civil, dado laços familiares e culturais entre populações russas e ucranianas (muitos russos têm parentes na Ucrânia).
- Consequência prevista: o autor afirma que o Ocidente será “chocado” e pego de surpresa por não ter compreendido a natureza estratégica e identitária do conflito.
- Crítica às leituras ocidentais: rejeição da narrativa que vê Putin como mero revanchista soviético; o texto separa o nacionalismo/idéia de “reunificação” do apoio ao comunismo.