Redes sociotécnicas: Bruno Latour no contexto da IA
Conteudo
TLDR;
As redes sociotécnicas, segundo Bruno Latour, são interações entre humanos, tecnologias, objetos e instituições que formam o social por meio de conexões dinâmicas e negociações contínuas.. A teoria de Bruno Latour aplica-se à IA ao tratá-la como um actante ativo que influencia decisões, co-produz resultados e integra redes sociotécnicas, superando a visão de mera ferramenta.. A Teoria Ator-Rede (TAR) propõe que humanos e não humanos, como algoritmos de IA, são actantes equivalentes em associações que constroem a sociedade, questionando fronteiras entre sujeito e objeto.
Resumo
No SXSW 2026, em Austin, a inteligência artificial (IA) foi debatida não como mera ferramenta, mas como parceiro ou colega de equipe, conforme palestrantes como Neil Redding e Sandy Carter. Essa visão relacional, inspirada na Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour, rejeita o determinismo tecnológico e a autonomia plena da IA, enfatizando redes sociotécnicas onde humanos e não humanos — chamados "actantes" — interagem, influenciam decisões e co-produzem realidades. Latour, ao observar laboratórios nos anos 1970, mostrou que máquinas e protocolos atuam ativamente na ciência, borrando fronteiras entre sujeito e objeto. Hoje, IAs generativas como ChatGPT são actantes estratégicos em créditos, contratações, diagnósticos e e-commerce, redistribuindo oportunidades e moldando comportamentos. Para líderes, o foco não é eficiência, mas quais associações a IA constrói ou destrói, demandando governança além da TI, integrada à estratégia organizacional. Essa sociologia das associações oferece ferramentas práticas para gerir transformações, conectando mercado e academia, e questionando categorias antropocêntricas em prol de teias de relações em negociação contínua. (198 palavras)