www1.folha.uol.com.br 22/06/2026 MD Sandbox

Opinião - Mafalda Anjos: 6 vieses que alimentam percepções erradas

Vieses Politica Pensamento Crítico

Conteudo

TLDR;

Os seis vieses mencionados são: viés da superioridade ilusória, viés da negatividade, viés da retrospeção idílica, viés da história cativante, viés da confirmação e o viés do efeito ilusório da verdade. Eles existem porque, por herança evolutiva e pelos atalhos mentais do cérebro (com um forte sistema de alarme emocional e um córtex pré-frontal limitado), damos prioridade a ameaças, emoções e narrativas fáceis em vez de dados frios, e isso é amplificado pelos meios e políticos. Para reduzir seu impacto, informe-se sobre esses vieses, verifique fatos e estatísticas, desconfie de informações repetidas e de histórias atraentes e busque fontes que contradigam suas crenças.

Resumo

A jornalista Mafalda Anjos discute a distância entre verdade e percepção, mostrando como, apesar do amplo acesso à informação, pessoas e sociedades persistem em ilusões que moldam decisões individuais e coletivas. Apoiada em referências como Hannah Arendt e no livro de Bobby Duffy 'Os Perigos da Percepção', a colunista relaciona fatores biológicos — um córtex pré-frontal relativamente pequeno e um sistema de alarme proeminente ligado à adrenalina — a atalhos mentais que favorecem a distorção da realidade. Esses mecanismos alimentam seis vieses contemporâneos determinantes: a superioridade ilusória (acreditar ser melhor que a média), o viés da negatividade (priorizar ameaças), a retrospeção idílica (idealizar o passado), o apelo de histórias cativantes em detrimento de estatísticas, o viés de confirmação (buscar informações que reforçam crenças) e o efeito ilusório da verdade (repetição tornando falsidade crível). Políticos e os meios de comunicação exploram esse hiato entre fato e sensação, como instrumento autoritário, tornando essencial reconhecer esses vieses. Ainda que não possamos redesenhar o cérebro, entender seu funcionamento é passo necessário para reduzir manipulações e resistir à desinformação nas redes sociais e no debate público, e para fortalecer a democracia por meio da educação midiática e do pensamento crítico habilitando cidadãos a avaliar fatos.