O mito confortável das múltiplas inteligências
Conteudo
TLDR;
Não, a teoria das múltiplas inteligências não tem suporte empírico robusto: testes mostram correlação entre habilidades e uma estrutura hierárquica com um fator geral (g). Ela se difundiu porque é psicologicamente atraente e funciona como um código moral na educação, fazendo professores e pais se sentirem inclusivos e valorizando talentos não acadêmicos. Sim; ao alimentar neuromitos e desviar tempo e recursos, a adoção acrítica de MI prejudica práticas educacionais eficazes, como instrução fônica sistemática na alfabetização.
Resumo
O artigo critica a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner, destacando que, apesar de sua popularidade pedagógica desde 1983, ela carece de evidência empírica robusta. Gardner propôs inteligências independentes (musical, espacial, interpessoal etc.), uma ideia acolhida por educadores e pais por valorizar talentos diversos e combater uma visão supostamente reducionista do QI. Contudo, pesquisas psicométricas mostram correlações entre essas habilidades, formando uma estrutura hierárquica centrada num fator geral (g) e em habilidades amplas, que explicam melhor desempenho escolar e profissional do que baterias baseadas em MI. Estudos neurológicos também não sustentam módulos cerebrais isolados para cada “inteligência”, apontando redes neurais compartilhadas e reutilização neural. O sucesso da MI, segundo o autor, é psicossocial: funciona como um mito confortante e um código moral nas faculdades de educação, mesmo sendo um neuromito amplamente aceito por professores. Isso tem custos práticos — recursos e tempo desviados de práticas baseadas em evidência, como instrução fônica sistemática na alfabetização — prejudicando alunos e perpetuando desigualdades. O autor conclui que, embora bem-intencionada, a MI sacrifica rigor científico em nome da bondade aparente. Estudos indicam crença em neuromitos por docentes e mostram que MI não acrescenta predição além de modelos centrados em g; defende práticas baseadas em evidência.