Entenda a desindustrialização brasileira em 8 gráficos
Conteudo
TLDR;
A participação da indústria de transformação no PIB brasileiro caiu de 33% para 15% nas últimas quatro décadas, enquanto o emprego no setor desceu de 27% para 14% da força de trabalho total. Juros altos que incentivam o rentismo, incertezas macroeconômicas e falta de integração entre empresas, governo e institutos de pesquisa explicam o atrofiamento da indústria nacional. Comparado a outros países, a indústria brasileira é proporcionalmente menos relevante que a da Argentina, China, Alemanha e Coreia do Sul, com apenas 9% das exportações de manufaturados em produtos de alta tecnologia, contra 19% no México e 16% na OCDE.
Resumo
Nas últimas quatro décadas, a indústria de transformação brasileira sofreu uma drástica desindustrialização: sua participação no PIB caiu de 33% para 15%, os empregos industriais despencaram de 27% para 14% do total, e na balança comercial atingiu o menor nível em 27 anos, respondendo hoje por apenas um quarto dos empréstimos do BNDES, contra mais da metade em 1995. Comparado a nações como Argentina, China, Alemanha e Coreia do Sul, o Brasil tem uma indústria proporcionalmente menor, com produtos de alta tecnologia representando só 9% das exportações de manufaturados, ante 19% no México e 16% na média da OCDE. Exportações específicas encolheram, como automóveis (de 3,75% para 1,49%), calçados (queda de 2,37 pontos percentuais) e aviões (0,41 ponto). Enquanto países ricos avançam para serviços sem abandonar indústrias de alto valor agregado, no Brasil crescem agronegócio exportador e serviços financeiros, em detrimento da manufatura, segundo o economista João Carlos Ferraz, do IE-UFRJ e ex-vice do BNDES. Fatores incluem juros altos que fomentam rentismo, instabilidades macroeconômicas, baixa integração entre empresas, governo e pesquisa (P&D em 1,2% do PIB, vs. 2% na OCDE). Ferraz defende políticas industriais de longo prazo em áreas estratégicas, como agregar valor à carne e investir em aeronáutica, automotiva e hidrogênio verde, alertando que depender de vantagens comparativas condena o país a um desenvolvimento estreito. (198 palavras)