IA não transa e não sente dor, então não ameaça a literatura, diz Ian McEwan
Conteudo
TLDR;
Porque, na visão de McEwan, a IA não possui experiência corporal nem vivências como dor, amor e luto que alimentam a criação literária, o que a torna produtora de prosa medíocre. McEwan não usa IA; embora curioso e cercado por quem a utiliza, afirma não ver utilidade pessoal para ela. Reconhece que a IA terá impacto colossal e talvez consiga enganar em algum momento, mas insiste que, sem corpo e experiência humana, não compreenderá verdadeiramente as emoções essenciais à literatura.
Resumo
Ian McEwan, prestigiado romancista britânico prestes a completar 78 anos, retorna com "O que Podemos Saber", ambientado em 2119 e recebido como reconciliação com sua melhor forma; o livro segue Tom, um historiador da literatura que estuda o período de 1990 a 2030 em busca de um poema perdido de Francis Blundy, e usa essa investigação para discutir os limites do conhecimento histórico, das biografias e da memória — simbolizados também pela trajetória de Percy Greene, personagem com Alzheimer. McEwan projeta um futuro marcado pelo "Desarranjo" climático, inundações, guerras e escassez que interrompem a evolução tecnológica, mas mantém um pessimismo nuançado: apesar das catástrofes potenciais, há sinais de resiliência, como esforços de restauração ambiental, e o verdadeiro risco pode ser o desânimo coletivo. Ele analisa mudanças demográficas, o papel ambíguo da inteligência artificial — já usada como oráculo emocional por jovens, mas incapaz de experiência corpórea como dor ou amor — e afirma que, embora a IA produza prosa medíocre hoje, não substitui a vivência humana essencial à literatura. McEwan não usa IA, mostra curiosidade tecnofílica temperada por desconfiança, e defende a importância de entender o passado para encarar o futuro.