A função da classe média, segundo Marilena Chaui
Por CartaCapital
Conteudo
TLDR;
A classe média, diz Chaui, é uma terceira classe que não é dona do capital nem produz mais‑valia, portanto não pertence nem à burguesia nem aos trabalhadores. Uma de suas funções centrais é servir como correia de transmissão da ideologia da classe dominante para toda a sociedade através de livros, jornais, revistas, escolas etc., fazendo essas ideias parecerem verdadeiras. Além disso, ela encarna um sonho de ascensão à burguesia e o pesadelo de cair na classe trabalhadora, o que a leva a bajular os dominantes e a atacar os dominados para proteger sua posição.
Resumo
No capitalismo existem duas classes fundamentais: a burguesia, dona do capital, e a classe trabalhadora, que produz a riqueza cuja parte não remunerada constitui o capital; entre elas situa-se a classe média, que não é proprietária do capital nem produtora de mais-valia, mas cumpre papel específico: atua como correia de transmissão da ideologia da classe dominante para toda a sociedade — por livros, jornais, revistas, escolas e outros meios — fazendo circular essas ideias como se fossem verdades. A classe média, além disso, encarna um sonho — o de ascender à condição de classe dominante, associada a riqueza conspícua — e um pesadelo — o de perder seu status e cair na classe trabalhadora; para conciliar ambos, ela bajula os poderosos e repassa discursos que oprimem os dominados. Essa dupla função explica sua ambivalência: ao mesmo tempo em que reproduz e legitima a ordem vigente, busca proteger-se da perda econômica mediante práticas e representações que acentuam desigualdades; por isso frequentemente é percebida como odiosa, porque preserva privilégios alheios e reforça a exploração. Ao naturalizar os interesses da burguesia, a classe média torna-se peça central na manutenção do sistema, dificultando alternativas emancipatórias e solidárias entre trabalhadores e ampliando desigualdades sociais persistentes.