O fim incontornável de uma teoria -
Conteudo
TLDR;
A teoria do valor-atenção proposta por Marcos Barbosa de Oliveira em artigo recente é criticada e considerada fracassada pelos autores.. O fim é incontornável porque a atenção dos usuários nas plataformas é mera contrapartida do valor de uso das mercadorias, não substituindo o trabalho abstrato como substância do valor.. Os autores defendem a teoria marxista do valor-trabalho contra acusações de essencialismo, argumentando que o fetichismo da mercadoria reflete a realidade metafísica do capitalismo, mascarando as relações sociais no trabalho.
Resumo
O artigo "O fim incontornável de uma teoria", de Jorge Nóvoa e Eleutério F. S. Prado, critica a proposta de Marcos Barbosa de Oliveira de uma "teoria do valor-atenção" nas plataformas das big techs, inspirada em Marx, mas adaptada para afirmar que a atenção dos usuários gera valor, substituindo o trabalho abstrato. Oliveira, após críticas que equiparam atenção ao valor de uso (não à troca), recua em novo texto, rejeitando a teoria marxista do valor como essencialista e metafísica, influenciado por Aristóteles, e negando necessidade de teoria do valor para economia. Os autores refutam isso: Marx não é discípulo aristotélico, e sua análise da mercadoria revela o fetichismo inerente ao capitalismo, onde relações sociais entre produtores se reificam em propriedades "naturais" das coisas, mascarando o trabalho abstrato como substância do valor. Críticas neoclássicas, keynesianas (como Joan Robinson) e de Castoriadis caem no mesmo fetiche, confundindo forma de valor com valor de uso ou explicando preços circularmente. Para Ruy Fausto, a "metafísica" marxista é científica, pois reproduz o real fetichista do capitalismo, onde capital é valor que se autoexpande. A teoria do valor-atenção, presa à aparência superficial das plataformas que monetizam dados via atenção, hipostasia fenômenos, ignorando a origem social no trabalho. (198 palavras)