Cursos de deepfake ensinam a driblar moderação e a lucrar com vídeos de Lula e Bolsonaro feitos por IA
Conteudo
TLDR;
Ensinam a contornar barreiras substituindo palavras sensíveis, usando prompts específicos e modelos menos moderados (como Grok) e ferramentas que testam trechos passíveis de bloqueio. A lei brasileira não tem punições específicas para deepfakes, embora o TSE proíba seu uso em propaganda eleitoral e autores possam responder por crimes da legislação existente (honra, estelionato, crimes sexuais) dependendo do caso. A monetização ocorre via alcance e impulsionamento nas redes, venda de cursos e serviços (clonagem de rostos, consultoria) e até por partidos que já pagaram para impulsionar vídeos de IA.
Resumo
Reportagem da Folha mostra que cursos pela internet ensinam a criar e monetizar vídeos políticos gerados por IA, com "prompts" prontos para reproduzir rostos e expressões de figuras como Lula e Jair Bolsonaro e instruções para driblar a moderação das plataformas; instrutores recomendam substituir palavras sensíveis e usar modelos menos restritivos como o Grok, enquanto testes indicaram que sistemas como o Sora também geram faces de agentes públicos. Há pacotes variados, do curso "Escola da IA" (≈R$300) ao "VEO3 Dark" (R$20), que oferece ferramentas para avaliar risco de remoção por redes sociais; algumas IAs mais avançadas, como o Veo3, aceleram a produção, mas bloqueiam menções explícitas a políticos. Empresas como OpenAI reiteram políticas que proibem deepfakes políticos sem consentimento e afirmam usar classificadores multimodais, enquanto a xAI ajustou seu Grok após respostas problemáticas. Especialistas alertam que, embora deepfakes tenham usos artísticos e satíricos, o perigo reside em enganar o público; a legislação brasileira ainda não prevê sanções específicas, mas crimes existentes e normas do TSE podem ser aplicados. O fenômeno tem se popularizado por ser barato e acessível, levantando debates sobre moderação, responsabilidade dos produtores e riscos para as eleições, e analistas pedem fiscalização mais rígida e educação midiática urgente agora.