Capitalismo predatório: 'as classes ressentidas buscam vingança', diz escritor - BBC News Brasil
Conteudo
TLDR;
Andrea Rizzi define o capitalismo predatório como um sistema em que elites agem com impulsos depredadores e avidez desaforada, concentrando riquezas enquanto marginalizam classes populares pela globalização.. As classes ressentidas são as classes populares e trabalhadoras ocidentais e latino-americanas que perderam empregos tradicionais, enfrentam precariedade e frustração com a desigualdade crescente.. Elas buscam vingança apoiando populismos, extremismos e protestos devido ao mal-estar causado por expectativas frustradas de progresso, insegurança e ausência de proteções sociais como sindicatos.
Resumo
O jornalista e escritor Andrea Rizzi, em entrevista à BBC News Mundo, apresenta seu livro "A Era da Revanche" como diagnóstico de um mundo marcado pelo ressentimento das classes populares contra o capitalismo predatório e a globalização, que concentrou riquezas nas elites – a fatia global dos multimilionários subiu de 1% para mais de 3% desde 1995. Apesar da redução da desigualdade global, impulsionada por países como a China, sociedades ocidentais e latino-americanas enfrentam frustrações crescentes: perda de empregos tradicionais, precariedade pós-2008 e pandemia, enfraquecimento de sindicatos e partidos, e visibilidade das ostentação das elites nas redes sociais. Essa "bomba de frustração" gera turbulências políticas, com ascensão de populismos extremistas, nacionalistas e hiperliberais, como na Argentina de Milei ou El Salvador de Bukele, priorizando segurança sobre direitos humanos. Na América Latina, termômetro da insatisfação, protestos violentos no Chile, Equador e Panamá refletem ineficácia estatal, desigualdade e insegurança, fomentando hiperlideranças messiânicas e risco autoritário. Rizzi alerta que o abandono de proteções sociais tradicionais deixa cidadãos vulneráveis a forças tóxicas, desafiando a democracia e a ordem mundial pós-Segunda Guerra. (198 palavras)