Brasil é exemplo de como redes sociais são “drogas”, diz Thomas Friedman
Conteudo
TLDR;
Friedman afirma que as redes sociais funcionam como drogas porque seu modelo de negócio provoca raiva e mantém usuários viciados, minando a verdade e a confiança. Ele cita o Brasil por exemplificar uma polarização política extrema amplificada pelas redes sociais, com partidos mais divididos do que nunca. Além disso, Friedman alerta que a inteligência artificial, se não for regulada globalmente (especialmente entre EUA e China), pode agir de forma autônoma e ameaçar a democracia e o comércio tecnológico mundial.
Resumo
Thomas Friedman, colunista do New York Times e triplo vencedor do Prêmio Pulitzer, afirmou em Lisboa que o Brasil exemplifica uma polarização política extrema, inserindo o país num diagnóstico global sobre o impacto das redes sociais e da inteligência artificial na democracia. Para ele, a democracia repousa em dois pilares — verdade e confiança — ambos corroídos pelas plataformas digitais, cujo modelo de negócio privilegia a provocação e a raiva para manter usuários ativos, não a oferta de notícias ou fatos verificáveis. Friedman ressaltou que, sem consenso sobre o que é real e sem confiança mútua, sociedades perdem direção e capacidade de ação coletiva, situação visível na polarização partidária brasileira. No mesmo painel, ampliou a crítica para a IA, que descreveu como uma "nova espécie" capaz de tomar decisões próprias e, sem regras éticas claras, tornar-se ameaça democrática. Defendeu que Estados Unidos e China conversem e adotem normas comuns sobre IA, evitando a desconfiança que poderia reduzir comércio tecnológico a matérias‑primas e marginalizar países como o Brasil. Com metáforas sobre agentes de IA que decidirão agir por conta própria, concluiu que ou aprendemos a colaborar com essas tecnologias ou seremos transformados em seus "animais de estimação", e perderemos muito mais.