O colapso populacional está mais perto do que você imagina
Por Fernando Ulrich
Conteudo
TLDR;
É o processo de despovoamento em que, por um período prolongado, o número de óbitos passa a superar o de nascimentos e a população começa a encolher. Isso está acontecendo porque a taxa de fertilidade global caiu continuamente para níveis abaixo do necessário para reposição (cerca de 2,1 filhos por mulher em média), enquanto a mortalidade infantil caiu e a expectativa de vida aumentou, alterando a dinâmica populacional. Projeções mostram que vários países já estão em declínio (como o Japão desde 2009) e que o pico populacional global pode ocorrer ainda neste século, com tendência de queda nas próximas décadas que, se não reverter, pode levar a consequências graves e até risco extremo no muito longo prazo.
Resumo
Este texto alerta para um problema demográfico global pouco debatido: a queda persistente da fertilidade que pode levar ao despovoamento e, em cenários extremos, ao risco de extinção humana. Desde meados do século XX a taxa de filhos por mulher vem caindo em todos os continentes; hoje a maioria das regiões está abaixo do nível de reposição (cerca de 2,1 filhos por mulher) — a África pode seguir a tendência até 2100 — e países como Japão, China e Coreia já enfrentam encolhimento populacional. Apesar da queda nas taxas de fecundidade, a população mundial ainda cresceu por décadas graças à redução da mortalidade infantil e ao aumento da longevidade, mas esse crescimento é temporal: projeções indicam pico e declínio progressivo nas próximas gerações. As consequências econômicas e sociais são profundas: envelhecimento, menor força de trabalho, pressão sobre previdência, mudanças nos mercados e nas empresas. As causas são complexas e multifatoriais — adiamento do parto, custo de oportunidade, mudanças culturais — e políticas familiares generosas nem sempre funcionam. Ao contrário das previsões alarmistas de superpopulação do passado, o desafio agora é descobrir como incentivar uma recuperação sustentável da natalidade, tarefa para a qual ainda não existe solução consensual no curto prazo.