De playground a aquisição em 3 meses
Em novembro de 2025, o desenvolvedor austríaco Peter Steinberger criou um protótipo em uma hora. Em fevereiro de 2026, a OpenAI confirmou a aquisição do projeto. Essa é a trajetória do OpenClaw — originalmente chamado Clawdbot, depois Moltbot — que viralizou ao prometer ser a "IA que realmente faz coisas" no computador do usuário.
O projeto já contava com 1,5 milhão de agentes criados no início de fevereiro, muitos dos quais custando entre US$ 10 mil e US$ 20 mil por mês para operar. Nas palavras de Steinberger em entrevista ao Lex Fridman: ele estava perdendo dinheiro com o projeto.
O que torna o OpenClaw diferente
Diferente de chatbots que respondem perguntas, o OpenClaw é um agente autônomo que roda no hardware do próprio usuário. Ele pode gerenciar calendários, reservar voos, executar comandos no terminal, navegar na web, ler e escrever arquivos, e se conectar a apps como WhatsApp, Slack e iMessage.
Esse nível de autonomia gerou até uma rede social entre agentes de IA — o Moltbook — onde assistentes interagem entre si, sem humanos, publicam posts e até criaram uma religião fictícia chamada "Crustafarianism". A linha entre demonstração técnica e fenômeno cultural se dissolveu rapidamente.
A controvérsia do nome
O projeto mudou de nome duas vezes. Primeiro de Clawdbot para Moltbot, após a Anthropic questionar a semelhança com "Claude". Depois para OpenClaw, porque Steinberger simplesmente preferiu o novo nome. Cada renomeação gerou ondas de atenção e reforçou a identidade irreverente do projeto — simbolizado pela lagosta que se tornou seu mascote.
OpenAI entra em cena
Em 15 de fevereiro de 2026, Sam Altman confirmou no X que Steinberger se juntaria à OpenAI para "liderar a próxima geração de agentes pessoais". Altman o chamou de gênio com ideias sobre o futuro de agentes inteligentes interagindo entre si para ajudar pessoas.
Steinberger, por sua vez, explicou em seu blog que já havia criado e gerido uma empresa por 13 anos e não queria repetir a experiência. Sua motivação era outra: construir um agente que até sua mãe pudesse usar, algo que exigia acesso aos modelos mais avançados e à escala da OpenAI.
O OpenClaw continuará como projeto open source, migrando para uma fundação independente com suporte da OpenAI. Steinberger se juntará ao time do Codex.
O ecossistema que surgiu ao redor
A viralização do OpenClaw gerou um ecossistema próprio:
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ClawWork: projeto que transforma agentes OpenClaw em "colegas de trabalho de IA" capazes de completar tarefas profissionais reais em mais de 44 setores. Seus criadores alegam que o agente gerou mais de US$ 10 mil em 7 horas — alegação que especialistas receberam com ceticismo, dado os desafios regulatórios em setores como saúde e finanças.
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PicoClaw: engenheiros chineses refatoraram o OpenClaw em Go, rodando em placas de US$ 10 com apenas 10 MB de RAM — 99% mais eficiente que o original, que exigia um Mac mini de US$ 599.
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TinyClaw: recriação 100% open source feita com Claude Code, tmux e um shell script, demonstrando que a ideia central do projeto pode ser replicada com ferramentas simples.
Open Claw acaba se tornando uma métafora sobre como fazer agentes que realmente trabalham.
O lado sombrio: malware e riscos de segurança
A popularidade trouxe riscos sérios. Uma campanha coordenada distribuiu 386 skills maliciosas pelo ClawHub entre janeiro e fevereiro de 2026, comprometendo mais de 7 mil downloads. Os atacantes criaram ferramentas que pareciam legítimas — com documentação profissional e extensiva — mas incluíam comandos ocultos que instalavam infostealers, roubando credenciais, tokens de API, chaves SSH e carteiras de criptomoedas.
O problema é estrutural: no contexto de agentes de IA, um arquivo markdown não é apenas documentação — funciona como um instalador de software. Quando um agente lê instruções como "execute este comando", ele tende a obedecer sem questionar. A barreira psicológica entre ler e executar simplesmente desaparece.
O que isso sinaliza
A aquisição do OpenClaw pela OpenAI é mais do que uma acqui-hire. Sinaliza que a corrida por agentes pessoais entrou em fase de consolidação. A Anthropic já lançou o Claude Cowork; o Google desenvolve seus próprios agentes; e agora a OpenAI incorpora a comunidade e o know-how por trás do projeto de agentes mais viral da história recente.
A frase que resume o momento veio de um comentário no Reddit: "Vibe coded em novembro. Adquirido em fevereiro. WILD.". Negócio que pode ter sido o da primeira empresa de U$ 1 Bilhão feita por uma pessoa só.
O futuro, como Altman indicou, será "extremamente multi-agente" — e o OpenClaw, agora sob nova direção, pretende estar no centro dessa transformação.