Estamos nos tornando substituíveis?
Conteudo
TLDR;
A inteligência tipicamente humana, relacional e ancorada na emoção e na convivência conforme Maturana, nos torna insubstituíveis, diferentemente das capacidades de processamento e otimização da IA.. O risco principal não é a máquina virar humana, mas o humano se tornar máquina ao internalizar lógicas de escassez artificial, eficiência e controle patriarcal que já existiam antes da IA.. Para evitar a substituibilidade, devemos cultivar simbiose elevadora fortalecendo empatia colaborativa, presença relacional e Humanics como criatividade genuína e julgamento ético, combatendo a "obesidade de IA".
Resumo
O diálogo entre Augusto de Franco e Diogo Dutra, inspirado no livro "Irreplaceable" de Pascal Bornet e no artigo "Autopoiese ou simulação?", questiona se os humanos estão se tornando substituíveis pela IA, expondo que o risco não é a máquina virar humana, mas o humano se tornar máquina. Eles argumentam que boa parte da "inteligência humana" já era artificial, moldada há milênios por lógicas de escassez produzida, patriarcado e hierarquias, que priorizam eficiência, competição e controle — traços que a IA apenas acelera e automatiza. Em vez de competir em velocidade ou processamento, onde perdemos, devemos cultivar o insubstituível: inteligência tipicamente humana como relação, emoção, cooperação e "biologia do amor" (Maturana), emergindo na convivência autêntica, empatia e criação de sentido. Bornet alerta para a "obesidade de IA", uma atrofia por dependência que reforça modos maquínicos, enquanto uma genealogia da inteligência revela sua redução de sabedoria situada a performance operacional. A simbiose humano-IA deve elevar, não reduzir, fortalecendo ambientes para inteligência colaborativa e relacional, evitando a contaminação por "linguagens de máquina" internalizadas. Assim, a IA espelha e explicita falhas civilizacionais, convidando-nos a redefinir o humano além da otimização. (198 palavras)