“A pressão no preço dos alimentos vem da produção agrícola e da agroindústria”
Conteudo
TLDR;
Porque a grande produção agrícola voltada à exportação vincula o mercado interno aos preços internacionais elevados e provoca mudanças de plantio que reduzem oferta de produtos destinados ao consumo doméstico. Propõe‑se intervenção pública nos momentos de repique de preço — como impostos ou contenção de exportações — além de um Plano Safra estratégico com ação direta sobre a agricultura e medidas para conter a desvalorização cambial. A alta dos alimentos atinge muito mais as famílias pobres, que dedicam 30–40% da renda à alimentação, forçando cortes de consumo ou troca por itens mais baratos e prejudicando a nutrição.
Resumo
Para o economista José Giacomo Baccarin (Unesp), a pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil decorre sobretudo da ligação da produção agrícola ao mercado internacional, que elevou preços neste século e impôs uma inflação de alimentos persistente desde 2007. Entre 2007 e 2024, o IPCA teve média anual de 5,7% e o índice de alimentação e bebidas (IPAB) 7,8% — 2,1 pontos a mais — indicando um encarecimento relativo prolongado. Fatores determinantes são a maior demanda global, sobretudo chinesa, o aumento de custos (combustíveis) e choques cambiais recentes — a desvalorização do real de cerca de 27% no ano passado e picos que fizeram a carne subir 23% entre setembro e dezembro. A exportação orienta decisões de plantio (por exemplo, soja em vez de feijão), contaminando preços domésticos. Baccarin defende políticas públicas de abastecimento e intervenção em momentos de pico — incluindo Plano Safra com estratégia produtiva, tributação ou contenção de exportações e pressão sobre frigoríficos — além de ações para manter o câmbio mais baixo, atribuindo ao Banco Central responsabilidade operacional. Ele ressalta que a alta atinge desigualmente as famílias, penalizando as mais pobres, para as quais alimentação representa parcela muito maior da renda e exige políticas redistributivas.