A América do Sul acabou de construir algo que os EUA não podem controlar
Na América do Sul, uma estrutura audaciosa surge que o US simplesmente não consegue controlar.
Conteudo
TLDR;
Foi a construção de uma base política popular e soberana no Brasil, expressa na eleição de Lula que derrotou a extrema direita. Porque se trata de uma escolha democrática e de um movimento de classe que resistiu às formas tradicionais de influência externa — desde CIA e FMI até Wall Street — que costumam controlar governos e proteger ativos. Isso demonstra que o renascimento neofascista não é inevitável e oferece um modelo para a centro-esquerda reconquistar trabalhadores e influenciar a dinâmica política na América Latina e além.
Resumo
Algo aconteceu esta semana: Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas dos 81 anos, conseguiu reverter a maré reacionária e foi reeleito presidente do Brasil, derrotando Jair Bolsonaro após um segundo turno surpreendente e revertendo a expectativa de migração dos votos de direita. A vitória de Lula é usada para contar uma história maior sobre a guerra de classes no Ocidente, em que as políticas de quase quatro décadas favoreceram a concentração de renda e riqueza nas mãos de poucos — como declarou Warren Buffett — por meio de resgates estatais, juros baixos, ganhos de capital não tributados e transferência de renda dos trabalhadores para acionistas. Enquanto bilionários pagam pouco imposto acumulando ganhos não realizados, trabalhadores suportam dívidas caras; o capital busca lucros até em economias como a brasileira, com intervenções de organismos e poderosos externos (CIA, FMI, Wall Street). O vácuo deixado pela centro-esquerda, que abandonou a linguagem de classe, foi explorado pela extrema direita oferecendo narrativas identitárias que dividem os trabalhadores. O Brasil, tendo conhecido o monstro de Bolsonaro — inclusive a invasão do Congresso em 8 de janeiro de 2023 —, refutou o fatalismo de um renascimento neofascista porque Lula falou a linguagem de classe e a sustentou com políticas voltadas à maioria, derrotando a onda reacionária.